Recursos Minerais e Energéticos da Terra

Legenda

Os processos internos e externos da Terra proporcionaram um ambiente capaz de sustentar a vida: uma atmosfera respirável, oceanos, solos ricos e um clima moderado. A humanidade progrediu para uma vida de melhor qualidade individual, quando aprendeu a extrair e utilizar os minerais (PRESS et al., 2006).


Figura 3.1: Evolução humana e tecnologia. Fonte: DIXON JR. (2017).

Os recursos materiais da Terra são todas e qualquer substância extraída do meio inorgânico na superfície (pedosfera) ou sub-superfície da Terra (litosfera). Podem ser Recursos Minerais (minerais e rochas), Recursos Hídricos e Recursos Energéticos (combustíveis fósseis: carvão, petróleo, gás; urânio e energia nuclear).

Os diferentes tipos de depósitos minerais existentes na crosta terrestre estão diretamente relacionados ao ambiente geotectônico de formação. Observa-se que um determinado tipo ou um conjunto de mineralizações, encontra-se condicionado não só a um único, mas a mais de um tipo de feição tectônica (DAMASCENO, 2017). Segundo Press et al. (2006), a teoria das placas tectônicas ajuda a entender a origem dos depósitos de minério e pode levar a descoberta de novos.

Os depósitos minerais terrestres podem estar associados aos diferentes tipos de rochas (ígneas, metamórficas e sedimentares) que compõem a litosfera, bem como a depósitos (sedimentares, lateríticos e supérgenos) e a solos (Figura 3.2).


Figura 3.2: Depósitos minerais: (a) Garimpo de ouro explorado em perfil laterítico (Gentio do Ouro, BA); (b) Exploração em solo arenoso (Região Metropolitana de Salvador, BA). Fonte: (CARVALHO e RAMOS (2010) (c) Drusa de Quartzo - Garimpo Bojo do Ioiô - Brotas de Macaúbas (fonte: MUSEU GEOLÓGICO DA BAHIA, 2010); (d) “Granito Azul Bahia” (fonte: SOCIEDADE MARMÍFERA BRASILEIRA, 2017). Fonte: SOCIEDADE MARMÍFERA BRASILEIRA, 2017.

Os elementos químicos da crosta terrestre estão amplamente distribuídos em muitos tipos de minerais, encontrados em uma grande variedade de rochas. Em muitos locais, qualquer elemento específico será encontrado homogeneizado com outros elementos, em quantidades próximas à sua concentração média na crosta. A existência de concentrações mais altas de um determinado elemento na crosta significa que ele passou por algum processo geológico capaz de segregá-lo em quantidades muito maiores do que o normal. As altas concentrações de elementos são encontradas em um número limitado de ambientes geológicos específicos (PRESS, et al., 2006), mas podem representar desde porções relativamente restritas até grandes massas de crostas terrestres onde a própria rocha ou um ou mais de seus constituintes despertam um interesse utilitário (TEIXEIRA et al., 2009).

O manto de intemperismo, constituído por uma assembleia de minerais secundários e minerais primários resistentes, pode gerar dois diferentes tipos de produtos: os solos e os depósitos minerais lateríticos e, ou supérgenos. Os solos representam uma importante fonte de material para obras de engenharia, principalmente nos climas tropicais e equatoriais, onde os perfis atingem grandes espessuras (TEIXEIRA et al., 2009). Neste caso, os componentes minerais dos solos podem ser utilizados na sua totalidade ou em partes, para diferentes fins.

Os depósitos lateríticos, também chamados de residuais, podem ser formados por processos que levam à preservação do mineral primário e sua concentração por acumulação relativa por causa da perda de matéria do perfil durante a alteração ou por destruição do mineral primário e formação de minerais secundários mais ricos do que o mineral primário no elemento de interesse (TEIXEIRA et al., 2009).

Os processos supérgenos (confundidos normalmente com o intemperismo) são extremamente importantes em razão de propiciarem uma reconcentração das mineralizações a partir de um minério primário que, às vezes, encontra-se em concentrações (teores) antieconômicos. Desta forma, esses processos podem viabilizar a lavra de determinados tipos de bens minerais. As condições de clima tropical (quente e úmido) favorecem a atuação desse mecanismo reconcentrador. O minério supergênico ocorre em duas regiões distintas: a zona oxidada e a zona supergênica ou de cementação, diretamente relacionada à circulação das águas subterrâneas. Já os depósitos sedimentares constituem um grande grupo que, normalmente, apresentam mineralizações composicional, pouco complexas e, mineralogicamente menos variadas. Quase sempre constituem depósitos bastante extensos, distribuídos por grandes áreas e com reservas minerais bastante significativas. Podem ser classificados em singenéticos e epigenéticos (DAMASCENO, 2017).

Os recursos energéticos (figura 3.3) usados atualmente podem ser classificados de várias formas, a mais usual baseia-se na possibilidade de renovação (renováveis e não renováveis) numa escala de tempo compatível com a expectativa de vida do ser humano. Entre os recursos renováveis estão a biomassa, a hidroeletricidade, a energia solar, a energia eólica, a energia produzidas pelas marés e aquela aproveitada das ondas. Como não renováveis tem-se os combustíveis fósseis (carvão mineral, petróleo e gás natural), a energia nuclear e a energia geotérmica (PRESS, et al., 2006; TEIXEIRA et al., 2009).

O uso de recursos finitos da Terra, sem considerar a fragilidade desse sistema, pode levar a exaustão dos recursos e à acumulação de resíduos perigosos. Pode, também, desencadear mudanças climáticas com sérias consequências (PRESS et al., 2006). Para muitos cientistas, a exemplo de Press et al. (2006), o desafio para a espécie humana é usar de forma sábia e equitativa os recursos, para garantir um futuro sustentável. Mas, segundo Lovelock (2006a), o caminho mais sensato seria repensar a crença no desenvolvimento sustentável e na energia renovável e pensar em economizar energia como único caminho à garantia da sobrevivência da espécie humana no planeta Terra.


Figura 3.3: Recursos Energéticos (PRIETO, 2011).